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Se Dane!

Publicado em: 01/09/2007

Não sou chegado em novelas. Não vou negar: quando jovem, fui fã dos folhetins da TV Tupi, mas hoje não tenho mais tempo, nem paciência, para permanecer estacado diante da telinha apenas para acompanhar tramas rocambolescas vividas por personagens inverossímeis.

Outro dia, no entanto, parei por alguns minutos para ver a nova novela das oito, que geralmente começa depois das nove. A trama, descobri depois, se desenrolava na Holanda, mais especificamente em Amsterdã. Ao contrário do que reza a tradição, não vi moinhos de vento, tulipas, nem tamancos de madeira. Pelo contrário: vi um país movido a bicicletas.

Fui me informar. O que descobri é que nas ruas daquele país o trânsito é todo adaptado para o tráfego das bicicletas, com ciclovias e semáforos especiais. Pessoas de todas as idades, tanto homens quanto mulheres, pedalam pelas ruas a caminho do trabalho ou das compras.

Além da Holanda, a Dinamarca também aparece como outro país com alto nível de utilização dos pedais. Um estudo que descobri na internet mostra que de 20% a 30% da população desses países costuma andar de bicicleta cotidianamente.

Incrível, não? No Brasil cresci ouvindo que bicicleta é transporte de pobre. “Todo o poder aos carros” parece ser a regra máxima de nosso sistema de trânsito. Em Rio Claro, interior de São Paulo, a topografia plana, aliada à falta de um sistema de ônibus barato e eficiente, permitiram que a cidade tivesse um número exorbitante de ciclistas. Mas não há qualquer prioridade para os bicicletistas, muito menos regras de proteção. O que se vê, além do desrespeito generalizado, é uma guerra que se mede pela quantidade de acidentes diários.

Já escrevi aqui, citando o escritor Luis Fernando Veríssimo, que são as relações entre motorista e pedestre que determinam o grau de civilidade de uma sociedade moderna. Em Rio Claro, ou em qualquer lugar onde o trânsito ainda não caótico permite o uso da bicicleta, o grau de civilidade pode-se medir também pelas relações entre motorista e ciclista.

No final, o pedestre fica sempre no fim da fila. Há ciclistas que pedalam céleres por calçadas, ziguezagueando entre carros, na contramão. Fazem da bicicleta uma arma, tal e qual os malucos do volante. O que me leva a concluir que a civilidade, expressa no respeito ao direito do outro, não deriva do veículo que você dirige ou tem à mão, mas do uso que você faz dele.

Carro ou bicicleta, a maioria de nós quer que o do lado se lasque, se dane e se exploda...


Por: Alexandre Peleji

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